Primeiramente, vale destacar que a moeda social virtual SupleCred, gerenciada pelo aplicativo SupleCred, não oferece lastro aos seus usuários e temos alguns motivos para implantar uma moeda social sem lastro e este é o objetivo deste texto, explicar o que é lastro e porque resolvemos implementar uma moeda social não lastreada.
A respeito do lastro, ou seja, a possibilidade de troca da moeda social por reais, é importante ressaltar algumas considerações sobre a operação da moeda social SupleCred que a caracteriza e a diferencia de outras iniciativas, pois o lastro não necessariamente pode ser compreendido como a possibilidade de troca de uma moeda social pela moeda corrente, no caso do Brasil por reais. Assim sendo, o lastro pode ser compreendido e abranger mecanismo sociais, econômicos e produtivos e que não são necessariamente financeiros. Dessa forma, o lastro da moeda social virtual SupleCred fundamenta-se na integridade das pessoas e organizações que participam do seu fomento e na confiabilidade na rede que gerencia as operações. Perpassa também pela garantia da posse, disponibilidade e usufruto dos créditos dentro da rede de usuários, pela integração de seus diversos públicos dentro das cadeias produtivas, consumo e oferta, dentre outros fatores que não permeiam necessariamente apenas a equivalência e disponibilidade de troca financeira da moeda social virtual SupleCred pela moeda corrente.
Lastro, significa assim confiança, solidariedade e reciprocidade, relações essas básicas de qualquer interação, sejam elas sociais, econômicas, financeiras e produtivas. Destaca-se que o Brasil bem como todos os demais países não tem o seu dinheiro lastreado como era até a década de 70 pelo o equivalente em ouro. Percebe-se nitidamente que há outros valores não necessariamente financeiros percebidos pela população que garantem a livre aceitação e circulação da atual moeda (real). Este é o modelo que está sendo adotado pela moeda social SupleCred em Viçosa e microrregião.
Vale destacar as limitações com relação às dificuldades de conseguir um montante em moeda corrente em forma de doações ou empréstimos para a formação de um fundo para que a moeda social possa ser lastreada. Por outro lado, o fato de ser lastreada, os usuários logo trocam suas moedas sociais por reais a fim de pagar boletos ou outros gastos, retirando as moedas sociais de circulação e necessitando a capitalização do fundo constantemente.
A única garantia oferecida pelo estado para a emissão de sua moeda oficial, é que aceitará seu papel moeda para o pagamento de impostos, além de aspectos sociais como a livre circulação e aceitação como meio de troca pela sociedade. Não é oferecida nenhuma outra garantia, ou seja, no caso do Brasil a possibilidade de troca do real pelo estado por algo físico ou intangível. Neste sentido, diante dos impactos negativos provocados pela pandemia provocada pelo Covid-19, a Rede de Economia Solidária de Viçosa e Microrregião buscará estabelecer acordos com as prefeituras para que aceitem a moeda social SupleCred para o pagamento de impostos municipais e o pagamento da conta de água, que no caso de Viçosa é oferecida por meio de uma autarquia municipal. Caso não seja aceito o pagamento de 100% dos impostos e contas de água, que aceitem o pagamento de parte do valor. Este seria um importante apoio do poder público municipal nas ações da Rede de Economia Solidária de Viçosa e Microrregião.

